segunda-feira, 24 de setembro de 2012

GREGÓRIO DE MATOS - O NOSSO VISIONÁRIO POETA BAIANO, EXCELENTE.

Triste Bahia

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
                                                       Gregório de Mattos
 
Do livro "História concisa da Literatura Brasileira", de Alfredo Bosi, Editora Cultrix, 1994, SP.
Enviado por: Leninha 

http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/pndp/pndp010750.htm 

***

Análise de três poemas atribuídos a Gregorio de Matos

 Laís Azevedo

À CIDADE DA BAHIA – POEMA 8

Triste Bahia! ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente,
Pelas drogas inúteis, que abelhuda,
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus, que de repente,
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fôra de algodão o teu capote.
AOS VÍCIOS – POEMA 11

Eu sou aquele que os passados anos
Cantei na minha lira maldizente
Torpezas do Brasil, vícios e enganos.
E bem que os descantei bastantemente,
Canto segunda vez na mesma lira
O mesmo assunto em plectro diferente.
Já sinto que me inflama e que me inspira
Tália, que anjo é da minha guarda
Des que Apolo mandou que se assistira.
Arda Baiona, e todo o mundo arda,
Que, a quem de profissão falta à verdade,
Nunca a dominga das verdades tarda.
Nenhum tempo excetua a cristandade
Ao pobre pegureiro de Parnaso
Para falar em sua liberdade.
A narração há de igualar ao caso,
E, se talvez ao caso não iguala,
Não tenho por poeta o que é Pegaso.
De que pode servir calar quem cala?
Nunca se há de falar o que se sente?
Sempre se há de sentir o que se fala.
Qual homem pode haver tão paciente,
Que, vendo o triste estado da Bahia,
Não chore, não suspire e não lamente?
Isto faz a discreta fantasia:
Discorre em um e outra desconcerto,
Condena o roubo, increpa a hipocrisia.
o néscio, o ignorante, o inexperto,
Que não elege o bom, nem mau reprova,
Por tudo passa deslumbrada e incerto.
E, quando vê talvez na doce trova
Louvado o bem, e o mal vituperado,
A tudo faz facinho, e nada aprova.
Diz lago, prudentaço e repousada:
—Fulano é um satírico, é um louco,
De língua má, de coração danado.
Néscio, se disso entendes nada ou pouco,
Como mofas com riso e algazarras
Musas, que estimo ter, quando as invoca?
Se souberas falar, também falaras,
Também satirizaras, se souberas
E se foras poeta, poetizaras.
A ignorância dos homens destas eras,
Sisudos faz ser uns, outros prudentes,
Que a mudez canoniza bestas-feras.
Há bons por não poder ser insolentes,
Outros há comedidos de medrosos,
Não mordem outros não – por não ter dentes.
Quantos há que as telhados têm vidrosos,
E deixam de atirar sua pedrada,
De sua mesma telha receiosos?
Uma só natureza nos foi dada;
Não criou Deus os naturais diversos;
Um só Adão criou, e esse de nada.
Todos somas ruins, todas perversos,
Só nos “distingue o vício e a virtude,
De que uns são comensais, outros adversos.
Quem maior a tiver, do que eu ter pude,
Esse’só me censure, esse me note,
Calem-se as mais, chitão e haja saúde!
AOS PRINCIPAIS DA BAHIA CHAMADOS OS CARAMURUS – POEMA 16
Há cousa como ver um Paiaiá
Mui prezado de ser Caramuru,
Descendente de sangue de Tatu,
Cujo torpe idioma é cobé pá.
A linha feminina é carimá
Moqueca, pititinga caruru
Mingau de puba, e vinho de caju
Pisado num pilão de Piraguá.
A masculina é um Aricobé
Cuja filha Cobé um branco Paí
Dormiu no promontório de Passé.
O Branco era um marau, que veio aqui,
Ela era uma Índia de Maré
Cobé pá, Aricobé, Cobé Paí.
COMENTÁRIOS:
Antes de realizarmos a análise dos três poemas, faz-se mister aduzir que nos referiremos a eles de acordo com a organização elencada na obra Poemas de Gregório de Matos, que consiste numa antologia d’alguns dos poemas pertencentes à escola Barroca, atribuídos ao poeta baiano.
Isto posto, falaremos, primeiramente, do poema onze, cujo tema é a corrupção que assola à Bahia. Nesse, o eu-satírico tece críticas mordazes ao povo baiano. Para isso, lança mão de vinte tercetos, isto é, estrofes compostas por versos, onde “o primeiro e o terceiro verso rimam entre si com o segundo da estrofe anterior” (Malard, 1997, p. 51). Ademais, ele adotou, outrossim, versos de onze silabas, o chamado hendecassílabo. Além disso, o escritor recorreu a vários tropos, destacamos a metáfora e a ironia. No tocante ao primeiro, podemos encontra-lo em diversas partes do verso. A metáfora, por sua vez, fica evidente, por exemplo, no décimo sétimo soneto.
Calcando-se no que foi aludido acima, vejamos como o poeta trabalha com a sátira e a cidade.
Nas três primeiras estrofes, o sujeito-satírico mostra que com sua lira já cantou os diversos males do Brasil, e os cantará outra vez, porém, desta vez por meio dum plecto diferente, isto é, lançará mão da Terça Rima. Interessante notar a referência à lira, que era um instrumento usado pelos gregos para acompanhar os poemas líricos. Entretanto, se a lira dos antigos era usada para cantar, na maioria das vezes, os amores, na mão da persona satírica gregoriana suas cordas acompanharão versos ácidos contra a sociedade baiana. Na terceira estrofe, ainda sobre a relação com a poesia produzida na antiguidade clássica, que foi posteriormente retomada pelos classicistas nos quinhentos, vemos o sujeito-satírico declarar que está sendo amparado também por Apolo — que é o deus da luz, das artes e da beleza — e por Talia — musa da comédia e das idilias. Essa última de fundamental importância, mesmo levando em consideração que a sátira distingue-se em alguns pontos da comédia, todavia uma possui elementos da outra. 

Nos versos sete e oito, o eu-satírico diz que não pode ficar calado, pois ele está a ver o lamentável estado de sua cidade. Sendo assim, chama a atenção dos ignorantes, que por hipocrisia, falta de conhecimento e medo de falar preferem ficar calados. Partindo disso, poder-se-ia afirmar, então, que a persona satírica coloca-se no papel daquele que sabe a verdade e não tem medo de expô-la.
Para findar a análise deste poema, retomemos, agora, a invocação da musa Talia feita no sétimo verso do poema. Na mitologia grega, Talia era, como já dissemos, musa da idília, que consiste numa forma de poema curto que visava descrever a vida rústica, pintava o pastor, o animal e o ambiente. Ora, sendo assim, podemos ver que os animais no poema atribuído a Gregório de Matos, são os néscios, “as bestas feras” tal como ele canta na estrofe quinze. Já o pastor é o sujeito-satírico, isto é , pegureiro do Parnaso. Contudo, se nos idílios o tema era o de falar, mormente, da felicidade da vida, no poema onze essa ideia é descartada, haja vista que a persona satírica quer tocar nas chagas da cidade. 

Doravante, ater-no-emos à analise de dois sonetos: oito e dezesseis. 

No soneto oito — forma de disposição dos versos criada pelo italiano Petrarca, que consiste em duas estrofes formadas por quatro versos e duas estrofes finais de três versos — o tema é a decadência financeira da Bahia, que por sua vez, está ligado ao anticolonialismo. Acreditamos que este poema possui um gênero híbrido, ou seja, imiscuí a sátira e a lírica. É importante ressaltar que segundo Teixeira Gomes (1985 apud Malard, 1997, p. 44), o autor do poema recorreu a um discurso lírico atribuído a Franscisco Rodrigues  — poeta português que viveu no século XVI e XVII —, que angariou bastante sucesso na época.  

No tocante às rimas, elas são distribuídas da seguinte forma: ABBA nos quartetos e CDE nos tercetos. De mais a mais, vale salientar que os versos são decassílabos à Os Lusiadas, do poeta luso Luís de Camões. 

Com os elementos formais supracitados, partamos agora para a interpretação.

No poema, nos deparamos com um sujeito-lírico que lamenta a situação da Bahia em seu tempo. Destarte, ele identifica-se com a cidade, que nesse caso é personificada — eis aí uma figura de linguagem: a prosopéia —, haja vista que ambos compartilham os mesmos sentimentos de angústia que outrora não eram possíveis, posto que a Baia vivia momentos melhores. A segunda estrofe, por sua vez, coloca no cerne o comércio, que é responsável pela eclosão da bancarrota financeira tanto da cidade, como do sujeito-satírico. O do primeiro origina-se no comércio com os ingleses, a Bahia cede o valioso açúcar (cabe ressaltar que nesse período o produto de maior valia na colônia era o açúcar) e recebe as inúteis drogas. A do sujeito-lírico está calcada, por sua vez, as trocas que fazem sobre sua pessoa; isso pode ser lido como uma denúncia acerca das relações de negócio que se davam entre os cidadão baianos. 

No remate do soneto há uma mudança de posição do sujeito-lírico. Se nos outros versos ele coloca a Bahia como uma vítima dos mercantes, no último terceto a persona lírica, valendo-se dum tropo — a metáfora — clama a Deus para que ele puna a cidade fazendo com que ela vista uma simples roupa de algodão, em outras palavras, uma indumentária trajada pelas pessoas de baixa condição social e pelos escravos. Contudo, ele não deseja para si as mesmas pragas que rogou à Bahia.

O soneto dezesseis, composto em versos decassílabos que seguem o padrão de rimas ABBA nos quartetos e CDC, DCD nos tercetos, traz à tona o tema das posições sociais na cidade. Utilizando a sátira, o eu-satírico vai apontar  um dos elementos que lhe desagrada fortemente, a ocupação de cargos de relevância por homens, Caramurus, que possuem algum parentesco indígena. Desta maneira, usando versos que têm diversas palavras indígenas, ele ridiculariza esses homens de alto cargo. Num viés romântico, isto é, calcado no projeto de literatura iniciado no século XIX, quiçá, afirmar-se-ia que o poeta, pelo fato de utilizar palavras indígenas, não estaria ridicularizando o índio, visto que ele fala de algo ligado aos autóctones brasileiros. Entretanto, como estamos diante duma sátira, percebe-se claramente que os vocábulos indígenas corroboram para depreciar ainda mais estes homens. Baseando-se no que foi explicitado anteriormente, vemos que o sujeito-satírico mostra-se insatisfeito com o modo de como a hierarquia, no que tange ao poder, se dá na Bahia.

Por último, não poderíamos deixar de ressaltar que a tríade de poemas atribuídos a Gregório de Matos — objeto de análise neste breve trabalho — continuam, dum certo modo, assaz atuais. As mazelas da colônia denunciadas nas sátiras gregorianas, principalmente as concernentes aos assuntos políticos, ainda, nos dias de hoje, em pleno final da década de 2000, continuam bastante pertinentes à sociedade brasileira. Infelizmente, o Brasil ainda sofre com a corrupção desenfreada que assola os três poderes.

REFERÊNCIAS:
BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
____________.História concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix 2006.
____________.Sobre alguns modos de ler poesia: memórias e reflexões. In: Leitura de poesia. São Paulo: Ática, 1996.
CANDIDO, Antonio. Na sala de aula.  São Paulo, Ática, 1998.
GOLDSTEIN, Norma. Versos, sons, ritmos. 14 ed. rev. e atualizada. São Paulo: Ática, 2006.
MATOS, Gregório de. Poemas de Gregório de Matos: por Letícia Malard. Belo Horizonte: Autêntica Ed., 1998.

Leia também:
  1. Três poemas de Gregório de Matos: análise
  2. “Desenganos da vida humana, metaforicamente”, uma análise dum poema de Gregório de Matos
  3. “Dous ff”, de Gregório de Matos
  4. “O Amor”, de Gregório de Matos
  5. Análise de quatro poemas concretos/concretistas

http://www.literaturaemfoco.com/?p=1993

GREGÓRIO DE MATOS

Gregório de Matos Guerra (Salvador, 23 de dezembro de 1636[1]Recife, 26 de novembro de 1695),[2] alcunhado de Boca do Inferno ou Boca de Brasa, foi um advogado e poeta do Brasil colônia. É considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa, no período colonial.[3]

Biografia

Gregório nasceu numa família com o poder financeiro alto em comparação a época, empreiteiros de obras e funcionários administrativos (seu pai era português, natural de Guimarães). Legalmente, a nacionalidade de Gregório de Matos era tecnicamente portuguesa, já que o Brasil só se tornaria independente no século XIX. Todos que nasciam antes da independência eram luso-brasileiros.
Em 1642 estudou no Colégio dos Jesuítas, na Bahia. Em 1650 continua os seus estudos em Lisboa e, em 1652, na Universidade de Coimbra onde se forma em Cânones, em 1661. Em 1663 é nomeado juiz de fora de Alcácer do Sal, não sem antes atestar que é "puro de sangue", como determinavam as normas jurídicas da época.
Em 27 de janeiro de 1668 teve a função de representar a Bahia nas cortes de Lisboa. Em 1672, o Senado da Câmara da Bahia outorga-lhe o cargo de procurador. A 20 de janeiro de 1674 é, novamente, representante da Bahia nas cortes. É, contudo, destituído do cargo de procurador.
Em 1679 é nomeado pelo arcebispo Gaspar Barata de Mendonça para Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia. D. Pedro II, rei de Portugal, nomeia-o em 1682 tesoureiro-mor da , um ano depois de ter tomado ordens menores. Em 1683 volta ao Brasil.
O novo arcebispo, frei João da Madre de Deus destitui-o dos seus cargos por não querer usar batina nem aceitar a imposição das ordens maiores, de forma a estar apto para as funções de que o tinham incumbido.
Começa, então, a satirizar os costumes do povo de todas as classes sociais baianas (a que chamará "canalha infernal"). Desenvolve uma poesia corrosiva, erótica (quase ou mesmo pornográfica), apesar de também ter andado por caminhos mais líricos e, mesmo, sagrados.

Frontispício de edição de 1775 dos poemas de Gregório de Matos.
Entre os seus amigos encontraremos, por exemplo, o poeta português Tomás Pinto Brandão.
Em 1685, o promotor eclesiástico da Bahia denuncia os seus costumes livres ao tribunal da Inquisição. Acusa-o, por exemplo, de difamar Jesus Cristo e de não mostrar reverência, tirando o barrete da cabeça quando passa uma procissão. A acusação não tem seguimento.
Entretanto, as inimizades vão crescendo em relação direta com os poemas que vai concebendo. Em 1694, acusado por vários lados (principalmente por parte do Governador Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho), e correndo o risco de ser assassinado é deportado para Angola.
Como recompensa de ter ajudado o governo local a combater uma conspiração militar, recebe a permissão de voltar ao Brasil, ainda que não possa voltar à Bahia. Morre em Recife, com uma febre contraída em Angola. Porém, minutos antes de morrer, pede que dois padres venham à sua casa e fiquem cada um de um lado de seu corpo e, representando a si mesmo como Jesus Cristo, alega "estar morrendo entre dois ladrões, tal como ao ser crucificado".

Alcunha

A alcunha boca do inferno foi dada a Gregório por sua ousadia em criticar a Igreja Católica, muitas vezes ofendendo padres e freiras. Criticava também a "cidade da Bahia", ou seja, Salvador, como neste soneto:
Tristes sucessos, casos lastimosos,
Desgraças nunca vistas, nem faladas.
São, ó Bahia, vésperas choradas
De outros que estão por vir estranhos
Sentimo-nos confusos e teimosos
Pois não damos remédios as já passadas,
Nem prevemos tampouco as esperadas
Como que estamos delas desejosos.
Levou-me o dinheiro, a má fortuna,
Ficamos sem tostão, real nem branca,
macutas, correão, nevelão, molhos:
Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,
E é que quem o dinheiro nos arranca,
Nos arrancam as mãos, a língua, os olhos.

Obra

Em 1850, o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen publicou 39 dos seus poemas na colectânea Florilégio da Poesia Brasileira (em Lisboa).
Afrânio Peixoto edita a restante obra, de 1923 a 1933, em seis volumes a cargo da Academia Brasileira de Letras, excepto a parte pornográfica que aparecerá publicada, por fim, em 1968, por James Amado.
A sua obra tinha um cunho bastante satírico e moderno para a época, além de chocar pelo teor erótico, de alguns de seus versos.
Entre seus grandes poemas está o "A cada canto um grande conselheiro", no qual critica os governantes da "cidade da Bahia" de sua época. Esta crítica é, no entanto, atemporal e universal - os "grandes conselheiros" não são mais que os indivíduos (políticos ou não) que "nos quer(em) governar cabana e vinha, não sabem governar sua cozinha, mas podem governar o mundo inteiro". A figura do "grande conselheiro" é a figura do hipócrita que aponta os pecados dos outros, sem olhar aos seus. Em resumo, é aquele que aconselha mas não segue os seus preceitos.

Poemas

  • Beija-flor
  • Anjo bento
  • Senhora Dona Bahia
  • Descrevo que era realmente naquele tempo a cidade da Bahia
  • Finge que defende a honra da cidade e aponto os vícios
  • Define sua cidade
  • A Nossa Senhora da Madre de Deus indo lá o poeta
  • Ao mesmo assunto e na mesma ocasião
  • Ao braço do mesmo Menino Jesus quando apareceu
  • A NSJC com actos de arrependido e suspiros de amor
  • Ao Sanctissimo Sacramento estando para comungar
  • A S. Francisco tomando o poeta o habito de terceiro
  • No dia em que fazia anos
  • Impaciência do poeta
  • Buscando a cristo
  • Soneto - Carregado de mim ando no mundo
  • Soneto I - À margem de uma fonte, que corria
  • Soneto II - Na confusão do mais horrendo dia
  • Soneto III - Ditoso aquele, e bem-aventurado
  • Soneto IV - Casou-se nesta terra esta e aquele
  • Soneto V - Bote a sua casaca de veludo
  • Soneto VI - A cada canto um grande conselheiro
  • Triste Bahia

Referências

  1. "Apresentação", Fundação Gregório de Mattos, Salvador, BA, BR: Secretaria da Cultura.
  2. Gregório de Matos e Guerra. Uma visita ao poeta, BA, BR: Centro de Estudos Baianos da Universidade Federal da Bahia, Secretaria da Cultura e Turismo do Estado da Bahia e Fundação Casa de Jorge Amado.
  3. Peres, Fernando da Rocha, Gregório de Matos e Guerra. Notação Biográfica, BA, BR: UFBA.

Ligações externas

Precedido por
Lorbeerkranz.png ABL - patrono da cadeira 16 Sucedido por
Araripe Júnior
(fundador)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gregório_de_Matos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gregrio_de_Matos

Gregório de Matos Guerra

“Eu sou aquele, que passados anos
cantei na minha lira maldizente
torpezas do Brasil, vícios, e enganos”
Esse era Gregório de Matos Guerra, o “Boca do Inferno”. Com seu espírito crítico, satirizava políticos, comerciantes, clero, colonizadores e até mesmo o povo. Para isso, usava palavrões e um vocabulário bem baixo em suas obras.
Nasceu supostamente em 7 de abril de 1633 na Bahia e morreu em Recife em 1696. Veio de uma família rica que possuía dois engenhos de cana-de-açúcar e 130 escravos.
Educou-se em casa e no colégio jesuíta. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e lá exerceu a profissão sendo, inclusive, juiz de órfãos.
Em 1681, quando voltou para o Brasil, foi vigário-geral e tesoureiro-mor, porém, durante este período recusou-se a usar a batina e denunciou injustiças da Ordem em que servia. Por causa disso, o Bispo ordenou seu afastamento.
Escreveu poesia lírica, satírica e religiosa. Suas poesias satíricas possuem um ótimo material do ponto de vista sociológico e lingüístico (já que o autor usava um vocabulário bem popular). Nelas o escritor narra episódios da vida popular, cotidiana e política. Através delas podemos conhecer melhor a sociedade da época (período colonial).
A poesia lírica de Gregório de Matos também é muito boa e pode ser dividida em:
- Poesia lírico-amorosa
- Poesia lírico-filosófica
- Poesia lírico-religiosa
POESIA LÍRICO-AMOROSA

Características

- O amor é retratado como fonte de prazer e sofrimento;

- A mulher é retratada como um anjo e fonte de perdição (pois desperta o desejo carnal).

TEXTO

Rompe o Poeta com a Primeira Impaciência Querendo Declarar-se e Temendo Perder Por Ousado

Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, se não em vós se uniformara?
Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?
Se como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.



Vocabulário

Uniformar: tornar uniforme, com uma só forma

Galharda: elegante 

POESIA LÍRICO-RELIGIOSA

Características

- O autor está dividido entre pecado e virtude (sente culpa por pecar e busca a salvação);

- O autor vê o pecado como um erro humano, mas também, como a única forma de Deus cometer o ato do perdão;

- O eu-lírico, muitas vezes, se comporta como advogado que faz a própria defesa diante de Deus (para tal, usava, até mesmo, trechos da Bíblia).

TEXTO

Ao mesmo assunto e na Mesma Ocasião

Pequei Senhor: mas não porque hei pecado,
Da vossa Alta Piedade me despido:
Antes, quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida, já cobrada,
Glória tal, e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,

Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada;
Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória

Vocabulário
Despido: despeço
Sobeja: sobra
Cobrada: recuperada
POESIA LÍRICO-FILOSOFICA
Características
-Pessimismo
-Angústia diante da vida
-Temas abordando o desconcerto do mundo e a instabilidade dos bens materiais
TEXTO

Moraliza o Poeta nos Ocidentes do Sol a Inconstância dos Bens do Mundo


Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.



Vocabulário:
Pena: dor, sofrimento

Gregório de Matos foi o maior nome do Barroco brasileiro. Casou-se e pouco tempo depois abandonou a mulher e a carreira de advogado para ser repentista no Recôncavo Baiano.

Em uma de suas sátiras ofendeu o governador da Bahia – Antonio Luis da Câmara Coutinho – e foi preso e exilado para Angola. Teve autorização para voltar para o país (mas não para a Bahia), foi para Recife e morreu em 1696.

A obra de Gregório de Matos foi publicada pela Academia Brasileira de Letras cerca de 230 anos depois da sua morte. Por causa disso, muitos de seus poemas se perderam e muitos textos que levam o seu nome são de autoria duvidosa, já que Gregório de Matos teve muito imitadores anônimos.

http://www.infoescola.com/escritores/gregorio-de-matos-guerra/

 



 


     

LULA E PT FORAM CONTRA O PLANO REAL E ERAM INIMIGOS POLÍTICOS. AGORA AMIGOS DA FAMÍLIA SARNEU, COLLOR E RENAN CALHEIROS (???)

Hoje o Lula se beneficia da estabilidade econômica alcançada com o plano Real, mas quando FHC, ainda deputado federal, apresentou o plano, Lula e seus aliados foram contra. Fizeram de tudo para impedir a aprovação do plano no congresso nacional. Mas felizmente o PT ainda não tinha maioria aquele tempo e o plano foi aprovado. Mesmo vendo os resultados positivos do plano Real Lula ainda continuava criticando e se opondo, pois sabia que com o plano indo bem ele não se elegeria. Não importava se estava sendo bom para o povo, o que importava é que ele nã se elegeria. Mesmo contra as evidências e a melhoria de vida do povo, principalmente o de baixa renda que era o mais prejudicado pela cruel inflação, Lula tentava desacreditar o plano dizendo que seria igual ao plano Collor. 

Hoje Lula é aliado do Collor, mas isso fica para outro vídeo.



LULA E PT CONTRA O BOLSA FAMÍLIA E DEPOIS PRESIDENTE EM VIA DE REELEIÇÃO - OUÇAM

Presidente Lula falando do Bolsa Família 

 QUE VERGONHA!

 http://www.youtube.com/watch?v=BYcmi3zct2s

PLANO REAL AUTORIZADO PELO ENTÃO PRESIDENDE ITAMAR FRANCO ELABORADO PELO MINISTRO DA FAZENDA FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


Plano Real foi um programa brasileiro com o objetivo de estabilização e reformas econômicas, iniciado oficialmente em 27 de fevereiro de 1994 com a publicação da Medida Provisória nº 434 no Diário Oficial da União. Tal Medida Provisória instituiu a Unidade Real de Valor (URV), estabeleceu regras de conversão e uso de valores monetários, iniciou a desindexação da economia, e determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real.[1]


O programa foi o mais amplo plano econômico já realizado no Brasil e tinha como objetivo principal o controle da hiperinflação que assolava o país. Utilizou-se de diversos instrumentos econômicos e políticos para a redução da inflação que chegou a 46,58% ao mês em junho de 1994, época do lançamento da nova moeda. A idealização do projeto, a elaboração das medidas do governo e a execução das reformas econômica e monetária contaram com a contribuição de vários economistas, reunidos pelo então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso.[2]


O presidente Itamar Franco autorizou que os trabalhos se dessem de maneira irrestrita e na máxima extensão necessária para o êxito do plano, o que tornou o Ministro da Fazenda no homem mais forte e poderoso de seu governo, e no seu candidato natural à sua sucessão. Assim, Fernando Henrique Cardoso elegeu-se Presidente do Brasil em outubro do mesmo ano.[2]
O Plano Real mostrou-se nos meses e anos seguintes o plano de estabilização econômica mais eficaz da história, reduzindo a inflação (objetivo principal), ampliando o poder de compra da população, e remodelando os setores econômicos nacionais.[3]


"Aqui jaz a moeda que acumulou, de julho de 1965 a junho de 1994, uma inflação de 1,1 quatrilhão por cento. Sim, inflação de 16 dígitos, em três décadas. Ou precisamente, um IGP-DI de 1.142.332.741.811.850%. Dá para decorar? Perdemos a noção disso porque realizamos quatro reformas monetárias no período e em cada uma delas deletamos três dígitos da moeda nacional. Um descarte de 12 dígitos no período. Caso único no mundo, desde a hiperinflação alemã dos anos 1920".

Em 19 de maio de 1993 Fernando Henrique Cardoso foi nomeado para o cargo de Ministro da Fazenda pelo Presidente Itamar Franco, assumindo perante o país o compromisso de acabar com a inflação, ou pelo menos reduzí-la. Fernando Henrique ocupava até então o cargo de Ministro das Relações Exteriores. O novo ministro reuniu um grupo de economistas para elaborar um plano de combate a inflação, como Persio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan, Edmar Bacha, Clóvis Carvalho e Winston Fritsch.
Em 1º de agosto de 1993, o ministro promoveu a sétima mudança de moeda do Brasil, de Cruzeiro para Cruzeiro Real, para efeito de ajuste de valores. A intenção do governo era repetir mais uma vez a prática de "cortar três zeros", porém, no mesmo mês de lançamento do Cruzeiro Real a inflação foi de 33,53%, e em janeiro de 1994, de 42,19%.
A partir de 28 de fevereiro de 1994, como efeito da Medida Provisória nº 434, iniciou-se a publicação dos valores diários da Unidade Real de Valor (U.R.V.) pelo Banco Central. A URV serviria como moeda escritural[5] para todas as transações econômicas, com conversão obrigatória de valores, promovendo uma desindexação geral da economia. A MP nº 343 foi reeditada pelas MPs nº 482 e nº 457, e transformada posteriormente nas leis nº 8.880 e nº 9.069.[1]
A partir de 1º de março de 1994, passou a vigorar a Emenda Constitucional nº 10, que criou o Fundo Social de Emergência (FSE) considerado essencial para o êxito do plano. A emenda produziu a desvinculação de verbas do orçamento da União, direcionando os recursos para o fundo, que daria ao governo margem para remanejar e/ou cortar gastos supérfluos. Os gastos do governo contribuíam grandemente para a hiperinflação, uma vez que a máquina do Estado brasileiro era grande, dispendiosa e ávida por mais recursos. Poucas horas antes, o Ministro FHC foi à televisão e, em pronunciamento oficial em rede nacional, deu um ultimato ao Congresso Nacional para que aprovasse a emenda à Constituição Federal.[6]
Em 30 de março, Rubens Ricupero assumiu o Ministério da Fazenda para substituir Fernando Henrique, que deixou o governo para se candidatar a Presidência da República. Em 30 de junho de 1994, encaminhou ao presidente Itamar Franco a exposição de motivos para a implantação do Plano Real.[7] Ricúpero caiu meses depois, em setembro, devido à repercussão na imprensa do que se chamou "Gafe da Parabólica", assumindo em seu lugar Ciro Gomes, na época membro do PSDB.[8]
Em 1º de julho de 1994 houve a culminância do programa de estabilização, com o lançamento da nova moeda, o Real (R$). Toda a base monetária brasileira foi trocada de acordo com a paridade legalmente estabelecida: CR$2.750,00 para cada R$1,00.[9] A inflação acumulada até julho foi de 815,60%, e a primeira inflação registrada sob efeito da nova moeda foi de 6,08%, mínima recorde em muitos anos.
Desde 1942 foram feitas muitas reformas das quais nasceram seis novas moedas, a saber: Cruzeiro Novo (1967), Cruzeiro (moeda) (1970), Cruzado (BRC) (1986), Cruzado Novo (1989), Cruzeiro (moeda) (1990) e Cruzeiro Real (1993). A inflação acumulada de 1967 até 1994 foi de aproximadamente 1.142.332.741.811.850% (IGP-DI).
O resultado positivo do Plano Real tem influenciado a política econômica brasileira desde então.

Resumo do plano


Na sociedade de inflação são comuns valores astronômicos e remarcações de preços muitas vezes ao dia. Nas fotos, screenshots de um anúncio de 1993 do Supermercado Real, extinta rede gaúcha de supermercados.
O Plano Real foi um programa definitivo de combate a hiperinflação implantado em 3 etapas,[10] a saber:
  1. Período de equilíbrio das contas públicas, com redução de despesas e aumento de receitas, e isto teria ocorrido nos anos de 1993 e 1994;
  2. Criação da URV para preservar o poder de compra da massa salarial, evitando medidas de choque como confisco de poupança e quebra de contratos;
  3. Lançamento do padrão monetário de nome Real, utilizado até os dias atuais.
Após a implantação do plano, durante mais de seis anos, uma grande sequência de reformas estruturais e de gestão pública foram implantandas para dar sustentação a estabilidade econômica, entre elas destacam-se: Privatização de vários setores estatais, o Proer, a criação de agências reguladoras, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a liquidação ou venda da maioria dos bancos pertencentes aos governos dos estados, a total renegociação das dívidas de estados e municípios com critérios rigorosos (dívida pública), maior abertura comercial com o exterior, entre outras.
Um funcionário da Casa da Moeda, responsável pelo projeto artístico da empresa, relatou a uma revista que o primeiro comunicado sobre uma outra nova moeda foi feito em novembro de 1993, e a sua produção se iniciou em janeiro de 1994, estabelecendo um recorde.[11] O Plano Real teria sido idealizado entre setembro de 1993 (época do lançamento do Cruzeiro Real) e julho de 1994 (lançamento do Real).

Principais medidas


Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em sessão comemorativa aos 15 anos do Plano Real no Congresso Nacional. Antonio Cruz/Abr.
O programa brasileiro de estabilização econômica seguiu as seguintes linhas mestras (com efeito sinérgico):[2]
  • Desindexação da economia
Medida Adotada: O ajuste e reajuste de preços e valores passaram a ser anualizados e obedeceriam as planilhas de custo de produção.
Justificativa: Era necessário interromper o círculo vicioso de corrigir valores futuros pela inflação passada, em curtos períodos de tempo. Essa atitude agravava a inflação, tornando-a cada vez maior. Era comum acontecer remarcação de preços várias vezes num mesmo dia.
  • Privatizações
Medida Adotada: A troca na propriedade de grandes empresas brasileiras eliminou a obrigação pública de financiar investimentos (que causam inflação se for feito pelo governo através da emissão de moeda sem lastro) e possibilitou a modernização de tais empresas (sob controle estatal havia barreiras impeditivas para tal progresso, como burocracia e falta de recursos).
Justificativa: A iniciativa privada tem meios próprios de financiar os investimentos das empresas, e isto não produz inflação, e sim, desenvolvimento, porque não envolve o orçamento do governo. Este deve alocar recursos para outras áreas importantes. E ainda, na iniciativa privada não há as regras administrativas orçamentárias e licitatórias, que prejudicam a produção das empresas e a concorrência perante o mercado.
  • Equilíbrio fiscal
Medida Adotada: Corte de despesas e aumento de cinco pontos percentuais em todos os impostos federais.
Justificativa: A máquina administrativa brasileira era muito grande e consumia muito dinheiro para funcionar. Havia somente no âmbito federal 100 autarquias, 40 fundações, 20 empresas públicas (sem contar as empresas estatais), além de 2 mil cargos públicos com denominações imprecisas, atribuições mal definidas e remunerações díspares.[10] Como o país não produzia o suficiente, decidiu-se pelo ajuste fiscal, o que incluiu cortes em investimentos, gastos públicos e demissões. Durante o governo FHC, aproximadamente 20 mil funcionários foram demitidos do governo federal.
  • Abertura econômica
Medida Adotada: Redução gradual de tarifas de importação e facilitação da prestação de serviços internacionais.
Justificativa: Havia temor de que o excesso de demanda por produtos e serviços causasse o desabastecimento e a remarcação de preços, pressionando a inflação (fato ocorrido durante o Plano Cruzado em 1986). Existia também a necessidade de forçar o aperfeiçoamento da indústria nacional, expondo-a a concorrência, o que permitiria o aumento da produção no longo prazo, e essa oferta maior de produtos tenderia a acarretar uma baixa nos preços.
  • Contingenciamento
Medida Adotada: Manutenção do câmbio artificialmente valorizado.
Justificativa: Com efeito da valorização do Real, esperava-se um aumento das importações, com aumento da oferta de produtos e aperfeiçoamento da indústria nacional via concorrêcia com produtos estrangeiros.
  • Políticas monetárias restritivas
Medida Adotada: Aumento da taxa básica de juros e da taxa de depósito compulsório dos bancos.
Justificativa: A taxa de juros teve inicialmente dois propósitos: financiar os gastos públicos excedentes até que se atingisse o equilíbrio fiscal, e reduzir a pressão por financiamentos, considerados agentes inflacionários (esfriamento da economia). Os financiamentos chegaram ter o prazo de quitação regulado pelo governo.[12]
O compulsório dos bancos teve o propósito de reduzir a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos e financiamentos dos bancos, uma vez que são obrigados a recolher compulsoriamente uma parte dos valores ao Banco Central.
Cquote1.svg Não fazê-lo (o plano) ou é incapacidade ou, o que é pior, imoralidade pela conivência com a exploração do povo e a injustiça social. Cquote2.svg
Fernando Henrique, em artigo publicado na Folha de S.Paulo.[10]

Efeitos imediatos


A força do Plano Real fez o presidente Itamar Franco eleger seu sucessor já no primeiro turno em 1994
O efeito regulador do Plano Real foi imediato e muito positivo em seu propósito. A inflação calculada sobre a URV nos meses de sua vigência (abril a junho) ficou em torno de 3%, enquanto que a inflação em Cruzeiros Reais (CR$) foi de cerca de 190%. Até o início da circulação do Real (R$), em 1º de julho de 1994, a inflação acumulada foi de 763,12% (no ano) e 5.153,50% (nos últimos 12 meses).
A inflação que antes consumia o poder aquisitivo da população brasileira, impedindo que as pessoas permanecessem com o dinheiro por muito tempo, principalmente entre o banco e o supermercado, estava agora controlada. O efeito imediato, e mais notável do Plano Real, foi a aposentadoria da máquina-símbolo da inflação, a "remarcadora de preços do supermercado" presente no comércio. O consumidor de baixa renda foi o principal beneficiado.
Durante muitos anos a correção monetária foi uma salvaguarda que permitia aos brasileiros que tinham maior poder aquisitivo defender-se parcialmente da corrosão do valor real da moeda, com aplicações bancárias de rendimento diário. A grande maioria da população, entretanto, não tinha acesso a esses mecanismos e sofria com a desvalorização diária dos recursos recebidos como salário, aposentadoria ou pensão, sendo os maiores prejudicados com a alta inflação.
Não por acaso, após a implantação do Plano Real a taxa de consumo de itens antes "elitizados" como o iogurte explodiu nas classes C e D da população.[13]
Segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas - (FGV), houve entre 1993 e 1995 uma redução de 18,47% da população miserável do país fruto do sucesso do plano. Um dos melhores índices da história.[14]
Também se considera como efeito direto do plano a vitória do candidato do governo, Fernando Henrique (PSDB-SP), nas eleições presidenciais de 1994.
Amostragem de evolução mensal da inflação antes e depois da implantação do Plano Real calculados sobre valores divulgados pelo BC[9]
Mai/93 Jun/93 Jul/93 Ago/93 Set/93 Out/93 Nov/93 Dez/93 Jan/94 Fev/94 Mar/94 Abr/94 Mai/94 Jun/94 Jul/94 Ago/94 Set/94 Out/94 Nov/94
32,27% 30,72% 31,96% 33,53% 36,99% 35,14% 36,96% 36,22% 42,19% 42,41% 44,83% 42,46% 40,95% 46,58% 6,08% 5,46% 1,51% 1,86% 3,27%
Gráfico: Dados inflacionários da tabela acima.
Gráfico: Dados inflacionários da tabela acima.

Crises econômicas

Nuvola apps important square.svg
Esta seção foi marcada como controversa devido às disputas sobre o seu conteúdo.
Por favor tente chegar a um consenso na página de discussão antes de fazer alterações ao artigo.

O Plano Real enfrentou três grandes crises mundiais: a Crise do México (1995), a Crise Asiática (1997-1998) e a Crise da Rússia (1998). Em todas essas ocasiões o Brasil foi afetado diretamente, pois estava em reformas e necessitava de recursos, investimentos e financiamentos estrangeiros. Grandes somas de dinheiro deixaram o Brasil em cada um desses momentos devido ao medo que os grandes investidores tinham com os mercados emergentes. Ao menor indício de crise em qualquer um desses países, uma massa de investidores corria para buscar refúgio em moedas fortes, como o Dólar americano, a Libra esterlina ou ainda o Euro. Outros aproveitavam esses movimentos para especular fortemente contra as moedas dos emergentes, na intenção de obter grandes lucros em curto espaço de tempo, esvaziando as reservas em moeda estrangeira dessas nações. Isso contaminava negativamente as contas de diversos países, causando um efeito cascata globalizado.
Como essas crises deixavam o Brasil sem meios de financiar seu plano de estabilização, o governo, fragilizado, via-se obrigado a aumentar a taxa básica de juros para remunerar melhor esses capitais, numa tentativa de impedí-los de abandonar o país. O objetivo era evitar um "defaut", ou seja, uma quebra generalizada que empurrasse o país a uma moratória externa. A taxa de juros do Brasil chegou a 45% ao ano em março de 1999. Como conseqüência, houve maior endividamento público, mais cortes de gastos públicos, retração de alguns setores da economia e desemprego.
Outras crises menores, apesar de não prejudicarem tanto o processo de controle da inflação do Brasil, que já estava consolidado, trouxeram efeitos negativos na taxa de crescimento econômico. A Crise da Argentina (2001), a Crise de 11 de setembro (2001), a Crise Eleitoral (2002) e a Crise do Apagão (2001) ajudaram a derrubar a taxa anualizada de crescimento do PIB pois também forçaram o aumento da taxa de juros interna. A crise do Apagão teve a causa ligada diretamente ao Plano Real, uma vez que o plano trouxe a ampliação do poder de compra da população, aumento do consumo, aumento da produção (que geram maior consumo de energia elétrica), somados ao recuo dos investimentos públicos nos setores estatais de energia (como parte do programa de estabilização econômica).

Efeitos em longo prazo

Os efeitos em longo prazo esperado à época do lançamento do Plano Real foram:[10][fonte fiável?]
  • Manutenção de baixas taxas inflacionárias e referências reais de valores;
  • Aumento do poder aquisitivo das famílias brasileiras;
  • Modernização do parque industrial brasileiro;
  • Crescimento econômico com geração de empregos
Cquote1.svg A estabilidade monetária é o fator condicionante. A prosperidade econômica é o fator condicionado. Cquote2.svg
Pedro Sampaio Malan, Ministro da Fazenda[5]

Oposição ao plano

Emblem-scales.svg
Este artigo ou seção possui trechos que não respeitam o princípio da imparcialidade.
Justifique o uso dessa marca na página de discussão e tente torná-la mais imparcial.


Lula, opositor do Plano real e trabalhadores
Durante todo o Governo FHC, o Partido dos Trabalhadores (PT) como principal opositor ao governo, votou contra[15] a maioria das medidas propostas no Plano Real ou que vieram a fazer parte dele, tal como o PROER. Alguns poucos artigos receberam apoio, como a previsão de destinação de recursos do FSE para o Sistema Único de Saúde, em 1994.[6]
Críticos afirmam que o PAC é apenas o apostilamento de todos os projetos do governo e que isso não implica naquilo que preconiza, a aceleração do crescimento.[16][17][18]
Cquote1.svg Quando a gente é de oposição, pode fazer bravata porque não vai ter de executar nada mesmo. Agora, quando você é governo, tem de fazer, e aí não cabe a bravata. Cquote2.svg
Presidente Lula (Ipsis litteris) assumindo em encontro com empresários que fazia oposição.[19][20][21]
Recentemente ventilou-se a necessidade de reformas no sistema econômico brasileiro (supõe-se que sejam nas bases teóricas do Plano Real), para que o país possa adaptar-se ao tempo econômico que se vive. Há críticas ao sistema financeiro, a política monetária, e ao sistema tributário brasileiro, que juntos oneram o crescimento econômico.[22]

Referências

  1. a b Site Presidência. Legislação Brasileira (em Português). Página visitada em 29/06/2009.
  2. a b c FIÚZA, Guilherme. 3.000 dias no bunker. 1ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2006. 352p. ISBN 85-0107-342-3.
  3. SAYAD, João. Observações sobre o Plano Real. Est. Econ. São Paulo. Vol. 25, Nº Especial, págs. 7-24, 1995-6
  4. BETING, Joelmir. Plano Real ano 7. A notícia. 1º de julho de 2000. Disponível em A Notícia
  5. a b BETING, Joelmir. Alquimia monetária. A notícia. 2 de julho de 2000. Disponível em A Notícia
  6. a b Almanaque Abril, 28ª ed, 1995
  7. Ministério da Fazenda. Exposição de Motivos da MP do Plano Real (em português). Página visitada em 29 de junho de 2008.
  8. BBC. Relembre gafes de políticos capturadas pelo microfone (em português). Página visitada em 18 de setembro de 2010.
  9. a b Comunicado nº 4.000, de 29 de junho de 1994. Banco Central do Brasil. Disponível em BCB
  10. a b c d CARDOSO, Fernando Henrique. Mãos à obra Brasil: proposta de governo. Brasília : s. ed. 1994. 300 págs.
  11. Revista Superinteressante. A ciência do dinheiro. Ano 8, nº 82, julho 1994
  12. Banco Central do Brasil. Disponível em BCB
  13. Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias Disponível em EMBRAPA
  14. Terra Notícias
  15. CARDOSO, Fernando Henrique. Real permitiu mudança geral de atitude. Disponível em Instituto Teotônio Vilela
  16. PSDB reage a declaração ... (em português). Folha Online (19 de janeiro de 2010). Página visitada em 24 de janeiro de 2010 (UTC−3).
  17. Tucanos reagem as críticas ... (em português). O Globo (19 de janeiro de 2010). Página visitada em 24 de janeiro de 2010 (UTC−3).
  18. A esquerda somos nós (em português). Revista Veja (13 de janeiro de 2010). Página visitada em 24 de janeiro de 2010 (UTC−3).
  19. Presidente Lula, em 27 de março de 2003. Disponível em Correio Braziliense
  20. Presidente Lula, em 27 de março de 2003. Disponível em Notícias UOL Reuters
  21. Presidente Lula, em 27 de março de 2003. Disponível em Site Universo Jurídico
  22. Reaping the rewards of indolence. The Economist. Março 2009.

Ver também


Ligações externas

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikinotícias Notícias no Wikinotícias

http://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_Real
 

Lula tirou o Brasil do Mapa da Fome! Entenda a farsa!

 https://youtu.be/2rTg-wlr8Zc via @YouTube